O PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE ANTIMICROBIANOS (PGA) – A IMPORTÂNCIA DA EXISTÊNCIA E BOA EXECUÇÃO EM SUA INSTITUIÇÃO

Paulo Friggi • 16 de fevereiro de 2026

Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGA): importância, desafios e impacto econômico

O Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos (PGA) tem como objetivos primários:

  • Garantir o tratamento adequado das infecções hospitalares e comunitárias
  • Promover mudança de comportamento nas práticas de prescrição e dispensação
  • Proteger pacientes dos danos causados pelo uso desnecessário de antimicrobianos
  • Combater a disseminação de microrganismos multirresistentes


De forma secundária, o programa também contribui para a redução dos custos hospitalares.


Apesar de sua relevância clínica e institucional, os principais entraves para sua aplicação e melhor execução estão relacionados à falta de liderança gestora e especializada dentro dos hospitais.


Base regulatória do PGA no Brasil e no mundo

A regulamentação do uso racional de antimicrobianos no Brasil não é recente.

  • A Portaria nº 1626/1998 já estabelecia como competência da comissão o “uso racional de antimicrobianos”.
  • A RDC nº 7/2010 tornou obrigatória a gestão do uso de antimicrobianos em hospitais com leitos de UTI.
  • Mais recentemente, a Nota Técnica nº 06/2021 da ANVISA, revisada em 2023, estabeleceu as Diretrizes Nacionais para Implementação do Gerenciamento de Antimicrobianos em Serviços de Saúde.


Em âmbito global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontava, desde 1998, a necessidade de estratégias para minimizar a resistência bacteriana, reforçando essa urgência de forma mais estruturada a partir de 2015.


A importância do médico infectologista no PGA

A ANVISA enfatiza a necessidade da presença do médico infectologista na composição das equipes responsáveis pelo PGA:


“Os representantes da CCIH e equipe médica devem, preferencialmente, ser infectologistas ou, na ausência desse profissional, médicos com expertise em doenças infecciosas.”

Dados do programa Stewardship Brasil, que avalia os resultados dos PGAs no país, demonstram que dois fatores predominantes para a não implantação do programa ou para sua execução inadequada são:

  • Ausência de profissional capacitado (11,8%)
  • Ausência de profissional capacitado como barreira à boa execução (15%)


Essa dificuldade não é exclusiva do Brasil. Trata-se de um problema global, especialmente em países de baixa renda, como demonstrado na revisão publicada por Harun et al. na revista Antimicrobial Resistance & Infection Control (janeiro de 2024).

Impacto econômico da resistência antimicrobiana

Sob a perspectiva econômica, a relevância do PGA torna-se ainda mais evidente.

Segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), a resistência antimicrobiana é responsável por:

  • 2 milhões de infecções por ano
  • 23 mil mortes anuais
  • Custos que podem chegar a 20 bilhões de dólares

Os principais fatores que elevam esses custos são:

  • Maior tempo de internação
  • Necessidade de uso de antibióticos mais caros


Além disso, os gastos hospitalares com antibióticos correspondem a 20% a 50% do total investido em farmacoterapia local, tornando o PGA uma ferramenta estratégica para reduzir impacto financeiro e melhorar eficiência institucional.


Diginfecto como alternativa estratégica

Diante dos gargalos já documentados — especialmente a ausência de profissional especialista local ou a limitação de tempo das equipes responsáveis — a Diginfecto surge como alternativa viável para apoiar o bom andamento do PGA institucional.



A solução pode atuar tanto suprindo a falta de expertise especializada quanto otimizando a execução das tarefas relacionadas à gestão de antimicrobianos, fortalecendo a estrutura e a efetividade do programa dentro das instituições de saúde.

Posts Recentes

Por Paulo Friggi 20 de maio de 2026
Os recentes noticiários no Brasil trouxeram à tona um alerta grave para o setor de saúde: surtos em instituições hospitalares cuja investigação epidemiológica apontou para a contaminação ambiental (água e ar) como vetores principais. Esse cenário reforça uma realidade inevitável: o papel do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) vai muito além das práticas assistenciais básicas. Ele é o núcleo estratégico da Gestão de Risco e Segurança do Paciente . A exposição a contaminantes ambientais é uma das maiores vulnerabilidades em ambientes de assistência à saúde, especialmente para pacientes imunocomprometidos. É por isso que a validação contínua da matriz de risco ambiental — focada em água e ar — é um pilar inegociável para a governança clínica. Neste texto, vamos entender como o SCIH atua na prevenção primária dessas ameaças e por que a sua instituição precisa estar atenta a esses indicadores. O Monitoramento Hídrico e a Segurança dos Pontos Críticos A água hospitalar não serve apenas para o consumo humano; ela alimenta sistemas complexos e vitais. O SCIH atua na supervisão rigorosa de todo o sistema hídrico da instituição, o que inclui: Amostragens Periódicas: Coleta de amostras para análises microbiológicas e físico-químicas em pontos de uso estratégicos, como torneiras, chuveiros e reservatórios. Validação de Setores Críticos: Monitoramento minucioso de áreas com exigências extremas de pureza, como os sistemas de hemodiálise e a Central de Material e Esterilização (CME). Ação Corretiva Integrada: Identificação rápida de inconformidades físico-químicas ou biológicas, com comunicação imediata à Engenharia Hospitalar para a correção de falhas no sistema. Qualidade do Ar: O Escudo contra Patógenos Aerógenos Se a água exige atenção, o ar hospitalar demanda vigilância constante. Doenças de transmissão aérea ou por gotículas podem se espalhar rapidamente se os sistemas de barreira falharem. A atuação do SCIH nessa área envolve: Auditoria de Sistemas de Climatização (HVAC): Verificação rigorosa do plano de manutenção e da eficácia dos filtros absolutos (HEPA). Gerenciamento de Pressão: Controle do diferencial de pressão e das taxas de renovação do ar em áreas críticas, como UTIs, isolamentos e Centros Cirúrgicos. Prevenção de Surtos Fúngicos e Bacterianos: Mitigação do risco de proliferação de biofilmes e esporos que se propagam por via aérea, protegendo o ambiente interno de ameaças externas (como poeira de obras hospitalares). Conformidade e Governança: O Foco das Auditorias de Qualidade Para os gestores de saúde, o controle da água e do ar possui também um forte impacto administrativo e legal. Os protocolos de amostragem, os laudos técnicos e o histórico de análises são pontos cruciais e 100% auditáveis em: Visitas de Acreditação de Qualidade Hospitalar (como ONA, QMentum, Joint Commission International). Inspeções da Vigilância Sanitária. Manter essa documentação organizada, atualizada e com rastreabilidade é a prova máxima de que a instituição não apenas cumpre as diretrizes nacionais vigentes, mas pratica uma governança clínica eficiente e transparente. Diginfecto: A Parceira Inteligente do seu SCIH A complexidade de gerenciar planos de amostragem de ar e água exige braço técnico e ferramentas confiáveis. A Diginfecto se posiciona no mercado como uma parceira estratégica para o SCIH da sua instituição, oferecendo suporte especializado em: Implementação de Planos de Amostragem customizados e totalmente alinhados com as normativas sanitárias vigentes. Análise e Gestão de Dados: Auxílio na interpretação de laudos e identificação de tendências para antecipar possíveis inconformidades antes que elas se tornem riscos reais. Mitigação de Riscos: Suporte técnico para integrar as ações do SCIH e da Engenharia Hospitalar, garantindo respostas rápidas, eficazes e seguras. Mitigar riscos ambientais é proteger a reputação da sua instituição e, acima de tudo, salvar vidas.
Por Paulo Friggi 20 de maio de 2026
A CME é uma unidade técnica e de apoio responsável por receber, limpar, preparar, esterilizar e distribuir todos os artigos médico-hospitalares. Desde uma pinça utilizada em um curativo simples até instrumentais robóticos complexos de alta precisão, tudo passa por lá. A falha em qualquer uma dessas etapas pode ter consequências devastadoras. O reprocessamento incorreto resulta diretamente no aumento das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), colocando a vida dos pacientes em risco, prolongando o tempo de internação e elevando drasticamente os custos operacionais do hospital. É na CME que a ciência e a tecnologia barram a transmissão de microrganismos através de três etapas rígidas: Limpeza: Remoção de toda a matéria orgânica e inorgânica. Desinfecção: Eliminação da maioria dos microrganismos patogênicos. Esterilização: Destruição completa de todas as formas de vida microbiana, inclusive os esporos. A Legislação por Trás da Segurança: A RDC nº 15/2012 Para que esses processos não dependam do empirismo, o Brasil conta com uma legislação de referência mundial. A principal regulamentação na área é a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 15/2012 da ANVISA , que estabelece os requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para a saúde. Entre os pilares estabelecidos por essa norma, destacam-se: Estrutura Física Unidirecional: A CME deve possuir áreas físicas rigidamente separadas (setor sujo, setor limpo e setor estéril) para evitar a contaminação cruzada. Processos Validados: Equipamentos como autoclaves e termodesinfetadoras exigem monitoramento diário e validações periódicas por meio de indicadores físicos, químicos e biológicos. Rastreabilidade: Deve ser possível identificar todo o histórico do material, sabendo exatamente por quais insumos passou, em qual máquina foi esterilizado e quem o processou. O Papel do SCIH: Auditoria e Validação Técnica Garantir que a RDC 15/2012 saia do papel e funcione perfeitamente na rotina hospitalar exige uma vigilância constante. É aqui que entra o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) . O SCIH atua como um órgão fiscalizador e orientador interno por meio de duas frentes essenciais: 1. Auditorias e Visitas Técnicas Periódicas Os profissionais do SCIH realizam rotinas de inspeção na CME para verificar se os protocolos estão sendo seguidos à risca. Eles checam desde a adesão aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) na área de expurgo até o arquivamento correto dos registros de esterilização. Essas auditorias ajudam a identificar gargalos antes que eles se transformem em eventos adversos. 2. Validação dos Processos O SCIH trabalha em conjunto com a liderança da CME para validar metodologias. Juntos, eles definem os desinfetantes químicos mais adequados, analisam os laudos de qualidade da água utilizada no enxágue e interpretam os testes biológicos. Esse embasamento científico mútuo assegura que o produto final entregue ao centro cirúrgico seja 100% seguro. Como Otimizar a Gestão da sua CME? Muitas vezes, a complexidade da legislação e a alta rotatividade de equipes tornam o monitoramento da CME um desafio pesado para o SCIH local. É pensando nisso que soluções de apoio externo ganham espaço. A Diginfecto atua como uma peça fundamental na assessoria ao SCIH das instituições de saúde. Com uma equipe especializada, a Diginfecto oferece o suporte técnico necessário para auditar processos, desenhar fluxos eficientes, auxiliar na conformidade com a RDC 15/2012 e treinar colaboradores. O resultado dessa parceria é uma CME que opera com máxima eficiência, garantindo a tranquilidade do SCIH e, acima de tudo, a proteção da vida de cada paciente que entra no hospital.
Por Ana Marcello 17 de fevereiro de 2026
O controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) não é apenas uma tarefa administrativa, mas uma operação de inteligência clínica. Como os elos Laboratório, CCIH e Infectologista se conectam: